
Estados
Unidos ainda pedem a volta de 28 crianças que estão no Brasil
Como o menino S., de 9 anos, que embarcou na quinta-feira (24/12) com o pai,
David Goldman, para os Estados Unidos, outras 54 crianças que viviam
no Brasil afastadas de seus pais foram devolvidas ou houve acordo entre as
partes entre 2003 e 2009. No caminho inverso, 22 crianças que estavam
irregularmente no exterior tiveram sua situação regularizada
no mesmo período. Brasil e EUA devolveram a mesma quantidade de menores:
sete crianças - incluindo S. - retornaram para os dois países
ou houve acordo entre as partes. Porém, os EUA ainda pedem o retorno
de 28, enquanto o Brasil aguarda a devolução de 11. Sessenta
e três pedidos feitos pelo Brasil e 155 por países estrangeiros
ainda estão sem solução. Os números fazem parte
de um levantamento realizado pela Advocacia-Geral da União (AGU).
Continuação do trabalho
Logo depois de confirmar
o embarque do menino S. e de seu pai aos EUA, a encarregada de Negócios
da Embaixada norte-americana em Brasília, Lisa Kubiske, enfatizou que
Washington pretende resolver, com a cooperação do governo brasileiro,
os 28 casos similares ainda sem solução. "Esperamos continuar
a trabalhar com o governo do Brasil para resolver prontamente todos os outros
casos pendentes relativos à Convenção de Haia",
afirmou ela, por meio de nota. De acordo com a chefe do Departamento Internacional
da AGU, Daniele Aleixo, são todos casos semelhantes ao de S. "O
pai ou a mãe saiu de um país estrangeiro para o Brasil sem a
autorização do cônjuge. Ou veio para o Brasil com a autorização
de passar algum tempo, que foi extrapolado", diz. Segundo ela, as duas
hipóteses são consideradas sequestro. As devoluções
foram precedidas de processos às vezes até mais complicados
do que o do garoto S. Esses processos têm como base a Convenção
de Haia, de 1980, sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças.
Em vigor no Brasil desde 2000, esse tratado determina a entrega de crianças
trazidas de países signatários sem autorização
de um dos pais. "Os casos vêm aumentando com o passar dos anos",
afirmou Daniele. Segundo ela, o Brasil pode ser considerado um país
bastante cooperante. As informações são do jornal O Estado
de S. Paulo.